Flores Para Algernon – Daniel Keyes
Flores para Algernon é um romance de ficção científica do americano Daniel Keyes. A história foi publicada em 1959 no formato de um conto e ganhou vários prêmios. A versão estendida foi publicada em 1966. O livro é sobre Charlie Gordon, um homem com deficiência intelectual que será o primeiro humano a fazer uma cirurgia para aumentar sua inteligência. A cirurgia foi feita com sucesso em um rato chamado Algernon, que no começo da história parece ser mais inteligente que o próprio Charlie. A história é contada em primeira pessoa através de diários escritos por Charlie, antes e depois da cirurgia.
Terminei Flores para Algernon na mesma semana em que terminei o livro Mindhunter Profile de Robert Ressler (livro sobre serial killers) e posso dizer que o livro que me deu um verdadeiro soco no estômago foi Flores para Algernon. Uma das melhores ficções que já li. Para mim, os melhores livros e filmes são aqueles que te fazem conectar com o personagem. Esse livro é ótimo, pois não apenas nos sentimos conectados à Charlie, como sentimos o que ele está sentindo.
No começo, sentimos a esperança e a inocência de Charlie e também o seu medo. O medo de Charlie é de que a cirurgia não dê certo, mas o medo do leitor é diferente, um medo de que a cirurgia irá dar certo e irá mudar a sua vida, não necessariamente para a melhor e que as suas melhores qualidades, sua inocência e pureza, serão perdidas. A angústia criada por esse medo dá vontade de parar o livro, talvez se parar de ler o livro, nada de ruim irá acontecer à Charlie.
Obviamente, a cirurgia acontece é dá certo. Aos poucos, percebe-se na escrita de Charlie melhoras que nem ele mesmo percebe. Semelhante à quando estamos aprendendo ago novo e ainda não percebemos nenhum avanço, é assim a mudança em Charlie. No começo devagar, mas acelera rapidamente, chegando em um ponto que ele se torna mais inteligente que todos ao seu redor. E então, Charlie começa a lidar com dolorosas memórias reprimidas de sua infância, ele começa a explorar sua própria sexualidade (razão pela qual o livro chegou a ser banido de várias escolas norte-americanas) e questiona os seus relacionamentos com colegas de trabalho e os cientistas que fizeram sua cirurgia.
Afinal, quem é Charlie? Um homem simples com QI baixo, um bobo da corte, um gênio ou um rato de laboratório? Será possível conciliar todos esses Charlies em um só? Será que você, como leitor, consegue conciliar todas as emoções que Charlie lhe faz sentir? Tristeza, esperança, raiva, pena e esperança?


